Caixa sobe juros de financiamento imobiliário.

31 de março de 2016

As taxas de juros do crédito imobiliário com recursos de poupança da Caixa ficaram mais caras. O aumento vale para financiamento de imóveis residenciais, comerciais e mistos contratado com recursos da poupança (SBPE).

Em nota divulgada ontem, o banco público relatou que as novas taxas estão em vigor desde a última quinta-feira, véspera do feriado de Páscoa.

Segundo a instituição, as taxas de juros dos financiamentos habitacionais populares com recursos do Programa Minha Casa, Minha Vida e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) não sofreram alteração.

A última vez que a Caixa Econômica aumentou os juros do crédito imobiliário foi para contratos assinados a partir de outubro de 2015, no terceiro reajuste do ano.

As novas taxas variam conforme o grau de relacionamento do cliente com a Caixa.

Para clientes que não são correntistas do banco, a taxa pelo Sistema Financeiro Imobiliário, por exemplo, subiu de 11,5% para 12,5% ao ano. No caso de servidor que recebe salário pela Caixa, a taxa subiu 0,5 ponto percentual, passando de 10,50% para 11% ao ano.

A Caixa informou que a alteração nas taxas é “decorrente de alinhamento ao atual cenário econômico”.

No último reajuste, no ano passado, o motivo foi o aumento da taxa básica de juros, a Selic. A Selic, taxa básica que serve de base para as demais taxas de juros da economia está em 14,25% ao ano, desde julho de 2015, quando foi elevada pela sétima vez seguida. Nas cinco reuniões seguintes do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, a taxa Selic não foi alterada.

O aumento dos juros ocorre depois do anúncio de medidas para reaquecer o mercado imobiliário, anunciadas pela Caixa no último dia 8.

Entre as medidas, foi a volta da possibilidade de fazer um segundo contrato de crédito imobiliário, no caso de pessoas que ainda estão pagando pela compra de um imóvel.

Também foi elevada a cota de financiamento para os imóveis, que antes era de 50% e passou para 70% nos contratos pelo Sistema de Financiamento Habitacional (SFH) com valor até R$ 750 mil.

A Caixa anunciou ainda a reabertura do crédito para imóveis usados em que os interessados poderão contratar até 80% do valor do imóvel.

Com participação de 67,2% do mercado, os contratos habitacionais em 2015 atingiram R$ 91,1 bilhões.

Desse total, R$ 55,5 bilhões se referem a recursos do FGTS e R$ 34,8 bilhões são provenientes do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE).

Dados do setor – Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), em janeiro de 2016, o volume de empréstimos para aquisição e construção de imóveis totalizou R$ 3,3 bilhões, com recuo de 30,9% sobre o volume registrado em dezembro. Comparado ao mesmo mês de 2015, observou-se queda de 63,9%.

No acumulado de 12 meses, entre fevereiro de 2015 e janeiro de 2016, foram destinados R$ 69,7 bilhões para aquisição e construção de imóveis, resultado 38,7% inferior ao apurado nos 12 meses anteriores.

Em quantidade de imóveis financiados, no primeiro mês de 2016 foram disponibilizados recursos para aquisição e construção de 13,5 mil unidades, resultado 38,5% inferior ao apurado em dezembro de 2015. Na comparação com janeiro do ano passado, foi observado recuo de 69,1%.

Fonte: IBRAFI – Instituto Brasileiro de Estudos Financeiros e Imobiliários. DCI.